O que fazer com os filhos em casa?

Quando optei por tirar o Lucano da escola, começamos a pensar o que faríamos? Como apresentaríamos o mundo a ele para que as dúvidas surgissem? Porém é um pensamento dentro do paradigma escolarizado. Nos primeiros dias o Alberto pensou mil e uma coisas, projetos para oferecer a ele, viu que algumas coisas não tinham ressonância, não eram adequados nem ao desenvolvimento dele, nem ao novo paradigma educativo ao qual estamos estudando para exercitar...

Ficar com as crianças em casa, dá um frio na barriga. Requer, antes de qualquer coisa, tranquilidade de que realmente o mundo é uma escola, e que as crianças são, por natureza, curiosas e querem aprender. Desde o primeiro dia o Lucano perguntou coisas como:

"Mãe, o que acontece com a comida quando eu como?"

E ele já entendeu, porque saiu explicando para algumas pessoas como forma o cocô.

"E por que o meu cocô fica duro?"

E porque não ensinar biologia a uma criança de 3 anos que quer saber? Claro, guardadas as devidas proporções e respondendo ao que ele quer saber.

"Mãe, o que tem dentro da minha cabeça?"

Vamos respondendo, se temos algum livro pra mostrar (e temos muitos) e ele se interessar, mostramos. O bacana é abrirmos nossos pensamentos endurecidos de que "precisamos ensinar algo para as crianças, se não"...Se não perdemos a oportunidade de ouvir suas curiosidades (infinitas), de buscar com eles algumas respostas, de explorar e ajudá-los a encontrar respostas.

Também teremos de saber lidar com o tédio. O que fazemos quando não tem nada para fazer? Sabemos ficar quietos? É um grande aprendizado, para nós e para eles, às vezes não ter nada para fazer ou ninguém para brincar. Desafiador porque mexe com nosso comodismo, com a inércia de ter tudo pronto e exige de nós a criatividade que falta tanto no mundo.

Fácil? Não, nada fácil. Já no primeiro dia o Lucano disse: "Quero ver desenho!" e diante da negativa, ele chorou por intermináveis cinco minutos, muito bravo. Nesse tempo, se eu tivesse alguma dúvida sobre a educação ativa ou desescolarização, teria voltado atrás na decisão de tirá-lo da escola. Mas ter tirado o Lucano da escola, também significa optar por estar mais presente, atenta, participativa e conectada com meu coração. Na prática isso tem me feito pensar rapidamente (e principalmente sentir) o que fazer diante das coisas.

Não adiantaria tirá-lo da escola e ligar a televisão o dia todo. Essa decisão não é a ponta do iceberg, mas tudo o que fica escondido no oceano de nossos sentimentos e pensamentos sobre que mundo estamos criando, como estamos nos colocando diante dele. O pedido de ver desenho com choro compulsivo pela negativa só aconteceu nesse primeiro dia, ele já entendeu (e eu também) que estou disponível para ele, que vamos sentar juntos e brincar com alguma coisa bem legal e que isso é muito mais divertido que ver desenho!

As pessoas pensam que ficamos "em casa" com as crianças desescolarizadas, porque em casa a maioria só vai para dormir. Ficar em casa é muito bom, Lucano gosta de brincar em casa conosco, com suas coisinhas e com os amigos. Também gosta muito de ir à casa dos amigos. Mas não é o que fazemos o tempo todo. A desescolarização nos faz olhar com mais interesse aos programas culturais da cidade, aos espaços públicos e possibilidades de relação com as outras pessoas e com outros ambientes.

Curioso que muitas praças ficam às moscas por muitos dias, quando não estão com adolescentes fumando. Mas também há coisas positivamente surpreendentes sobre nossas cidades. A Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, por exemplo, tem na biblioteca (conhecida por quase todos), uma brinquedoteca muito bacana e uma pracinha indoor aberta à comunidade.

Hoje foi o dia internacional dos contadores de histórias. Lá fomos nós, mergulhar no novo. Lucano chegou a me dizer: "Eu não gosto de amigos novos". Desafiante, eu sei, mas estamos juntos. Curtimos juntos, com ele tímido no começo, mas depois interagiu e não quis mais ir embora.

Brinquedoteca da Casa de Cultura. Feliz!

Já soltinho na apresentação de outros Clowns. Muito bom!!!

"De quem são essas pegadas? Vamos procurar?"

"Mãe, esses robôs são feitos de lixo!"

Contação de História árabe sobre o Camelo e a amizade.

Concentrado ouvindo a história!

Cara de quem vai derrubar a "torre mais alta que eu já vi na minha vida!"

Joguinhos da brinquedoteca.

"Mãe, existe pássaro desse tamanho?"

Não é fácil olharmos mais honestamente para nossos quereres e sentimentos, não é nada fácil ter de conduzir com calma um ataque de choro do filho, mas no final das contas, crescemos juntos e mais: vê-lo feliz, descobrindo um mundo de coisas, participar de suas descobertas e perguntas , não tem preço!

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